terça-feira, 15 de março de 2011

Se foram

Se foram todos os cantos,
Todos os pássaros
E todos os pedaços.
Se foram todas as danças,
Todo sol,toda brisa
E toda solta melodia.
Se foram as vontades,
Se foram as verdades,
Se foram as mentiras.
Se foram todos os dias,
Todas as noites
E todos os planos.
Se foram todos os indícios,
Todos os sorrisos
E todos os enganos.
Se foram os melhores,
Se foram os piores,
Se foram e não voltam.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Alguém

Não necessito de retalhos
Nem de certas apologias.
Necessito de um abobado
Que me ature por amor
E que me faça rir constantemente.
Necessito mais de bajulação,
Até eu achar que necessite
De um espaço só meu.
E preciso desse espaço
Para que em um segundo
Sinta a necessidade
De pegâ-lo de volta.
Preciso dizer bobagens,
Talvez elas te façam chorar.
Talvez elas te façam sorrir.
Necessito de alguém
Que me releve,
Que saiba sonhar meus sonhos,
Que diga,sem mentiras,
Que não sabe viver
Sem tocar a minha vida.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Razão

Não há razão
Para que fique.
Não há razão
Para que se vá.
As razões testemunham
Os erros que minha emoção
Não sabe entender.
E me machuca,me absorve
E eu ainda a tenho.
E para sempre vou levá-la.
Não há uma só pessoa
Que saiba o quão doloroso
É perder o que lhe preenche.
Não há um só coração
Que entenda o excesso
Que o vazio me fez enxergar.
Não há um só pensamento
Que compreenda a minha necessidade
De ficar e de querer ir.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Se quer saber...

Se quer saber
Estou tranquila.
Vivo fazendo acordos
Comigo mesma
E meus conflitos
Sabem me respeitar
Como ninguém.
Se quer saber
Tenho a habilidade
De estar só e estar comigo,
Mas sinto uma necessidade
Gritante e extremamente minha
De me sentir e não sentir.
Se quer saber
Não é fácil decifrar
Em mim o que quero
E o que sonho...
É provável que saia
Sem saber se quer saber
Ou não.

Quatro e dezoito

Não sou metade
E temo o inteiro.
Esvazio-me do nada
Para que eu possa
Obter o tudo
Que há em mim.
Sutilmente inalo
O melhor da serenidade
E extraio estranhamente
O que existe em meu ser.
Olho pro ceú
E tenho a impressão
De que tudo permanece.
Olho pro retrato
E já não me sinto
Em outro lugar
Como me sinto aqui.
Tinha os mesmos traços aos quatro
E estava do lado de fora aos dezoito.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Sem sentido

Pudera alguém
Sentir o que sinto.
Meu coração
Soube transcender
De forma absoluta.
Sinto-me transbordar
E minha alma está completa,
Sem esforço nem hipótese.
Tenho em mim o prazer
De sentir o que pouco se sente.
Não sei dizê-lo
Mas sinto ofuscar em mim
A vontade de explodir,
De calar e de dizer.
Sinto-me como uma carta
Fora do baralho
E agora tudo faz sentido.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Seus olhos

Não posso dizê-lo em vão
Nem dizê-lo tão rápido.
Mas tenho em mim
O progresso de suas cautelosas
E humanas palavras.
Não posso descrevê-lo
Com tanta normalidade
Pois,tenho em mente
A especialidade do seu ser.
Permita-me então
Dizer que tú tens o infinito
E a verdade sob os olhos.
Permita-me então
Dizer que tú podes desfrutar
Da altitude e da intensidade
Que a divindade soube
Colocar com delicadeza
Em seus olhos radiantes.